
Imagine se você estivesse andando no Centro, de qualquer cidade, e deparasse com uma mulher ruiva de cabelos compridos, pele clara, coroa na cabeça dourada. Se esta mulher usasse um vestido bordô, de tecido pesado, mangas cumpridas e com a saia bem cheia. Junto estaria um homem com camisa branca cheia de detalhes, calças bufantes e botas. Com certeza, as pessoas se espantariam e pensariam que a mulher e o homem seriam atores, fantasiados como a nobreza européia no século XVII.
A roupa, tanto no passado como no presente, esteve associada à diferenciação das camadas sociais e de épocas da história. Atualmente, ela serve para diferenciar categorias profissionais. E as profissões também determinam as formas de vestimenta. Um advogado está sempre de terno, uma executiva de tailleur, um médico de branco, um gari de macacão laranja.
Profissionais de moda, geralmente se destacam por terem um estilo próprio muitas vezes não convencional. Eles conseguem demonstrar a personalidade pelo uso de roupas e acessórios diferenciados. Rosely Pimenta é coordenadora do curso de Moda da Univap. Seu jeito bem resolvido aparece pelo lencinho amarelo amarrado no cabelo como uma bandana. Seu crock branco, sapato confortável parecido com tamanco holandês, se destaca no meio da roupa básica jeans, blusa vermelha e casaco caramelo.
Rosely explica que a roupa expressa e comunica sentimentos, personalidade e estado de espírito. Apesar de que em situações sociais e profissionais as vestes não transmitirem isto. “Um médico pode querer usar um preto, por estar entediado, mas sua profissão não permite. Mas, quando ele sair do ambiente de trabalho tenho certeza que vai tirar o branco”, exemplifica a coordenadora.
Muitas vezes a escolha das roupas é inconsciente. Às vezes optamos por uma roupa básica, mas é inevitável que o inconsciente aflore. “Estou num ambiente profissional. Escolho um pretinho básico e um brincão. Assim a atenção que era neutralizada chamo para mim”, comenta.
A roupa está ligada ao nível social, e é uma forma de comunicar que pertencemos a grupos. Muitos movimentos criaram uma moda própria. Um exemplo são os punks, que vestiam roupas rasgadas porque eram as únicas que tinham. O movimento surgiu na Inglaterra, numa época que somente os jovens abastados tinham espaço no mercado de trabalho.
Na atualidade os jovens compram as roupas e muitas vezes nem conhecem os movimentos. “Muitas pessoas se vestem para fazer parte de grupos. Não significam que elas sejam. Você pergunta para elas da onde vem a idéias. E eles não sabem, pois estão fantasiados”. As pessoas que participam de grupos como jovens, ou classes sociais, geralmente encontram unidade visual, ou seja identificação pelas indumentárias.
A moda é uma manifestação, de pendendo da roupa para ser aceita pela sociedade, ou para ser repudiada. As roupas mais básicas são usadas para ser aceitas como roupas clássicas. Já as roupas decotadas e coloridas servem para chocar as pessoas. O psicológico, o estado de espírito também interfere na roupa.
“A pessoa pode estar deprimida, pessoas que tem baixo asseio físico, não tem noção visual, não tem noção do que as pessoas estão vendo. Ser desencanado é uma coisa, mas desleixado outra. Ninguém gosta de ser referencial de coisas negativas. você pode ser a pessoa mais desencanada é uma coisa, desleixada é outra”, advertiu a professora.
Determinados grupos são fáceis de rotular como punks, heavy metal’s, yupe, e etc. Os alternativos vestem roupas a frente do tempo, de vanguarda, ou modas do passado, usando o vintage e o retrô. “Você olha tem referência do passado e tem referência do futuro, para fazer isso você tem que estar bem consigo mesmo. Porque do mesmo jeito que quando se coloca uma roupa bonita se chama atenção. Quando se coloca uma roupa nada haver se chama atenção.”
“A moda pode expressar tudo e nada. Tudo depende da envergadura, a maneira de se portar. A roupa é uma armadura se você a coloca você tem que ter do que está transmitindo”, finalizou. De nada adiantará se vestir o vestido de rainha da mulher imaginada no início da reportagem se a pessoa não se portar como tal. Assim como não adiantará usá-lo num sol escaldante nos tempos modernos. A roupa tem seu papel de individualizar e de socializar o homem. As vestimentas também comunicam muito sobre nós.