
São Paulo já é sinônimo de diversidade, por si só. É só andar na Paulista que você vê alternativos, misturados a engravatados, ambulantes, todas as tribos convivem pacificamente. Se até os diferentes estilos arquitetônicos se misturam entre as ruas da cidade de pedra. Imagine uma virada com todo tipo de pessoa, cabelos de todas cores loiros, ruivos, negros, curtos, cumpridos, raspados, com tranças e dreads.
A virada cultural juntou tribos, estilos, e gostos musicais desde os bregas Wando e Reginaldo Rossi, a clássica Orquestra Sinfônica da cidade. Juntou a classe média, a elite, pois é o Kassab e o Serra estavam lá. Até os ambulantes que aproveitaram para ganhar um dinheirinho. Era um mar de cabeças que me separavam do palco dos shows. Só quem continuava a ficar excluídos eram os moradores de rua. Para eles a cidade não parecia tão quente, nem gentil.

O Centro Velho parecia uma cidade européia e deu lugar a números franceses. Os paulistanos tiveram que ingerir muito álcool para esquentar a noite quente, apesar do calor humano. Uma das partes mais bonitas foi o fogo que iluminou todo o Jardim da Luz. Parecia noite de dia das bruxas, mas a alegria contaminava o parque.
De manhã parecia final de guerra, pessoas andando para todos lugares, um forte cheiro de urina e lixo por toda parte. As pessoas tem fome de cultura, porém falta concientização ambiental. Mas, valeu a pena a caminhada pelos pontos centrais da cidade. A música do Zeca Baleiro conseguiu refletir o que é a Virada em “Alma não tem cor”.
Alma não tem cor
Porque eu sou branco?
Alma não tem cor
Porque eu sou negro?
Branquinho
Neguinho
Branco negão
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor
Azul amarelo
Verde verdinho marrom
Você conhece tudo
Você conhece o reggae
Você só não se conhece