Nosso inimigo o tempo

benjamim

Uma questão ainda não foi resolvida, após assistir “O curioso caso de Bejamin Button”, quem é o verdadeiro autor do conto de Bejamin? Seria Charles Chaplin com seu texto que sugere que seria mais fácil nascer na forma física velha, ficar adulto com todas cobranças e terminar sem compromissos e com grande sabedoria sendo uma criança? Ou realmente F. Scott Fitzgerald foi o criador, em 1921em sua coletânia de contos chamada “Fantasia”, deste conto que nós faz refletir melhor o que queremos da vida, o que devemos fazer, esperar, aproveitar e aceitar. Talvez Chaplin tenha escrito a frase antes e Fitzgerald tenha baseado para escrever o conto.

Os críticos tem feito um paralelo com o filme “Forest Gump”, mas eu vi semelhanças com ”O diário de uma paixão”. O filme nos mostra que é possível que Hollywood produzir filmes mais profundos baseado em bons diálogos, com uma belíssima fotografia, figurino e maquiagem. O roteiro foi bem escrito, as roupas nós fazem embarcar em outra época, assim como os tons escuros, os cenários noturnos, o céu nublado, o a neblina, o anoitecer faz o público sentir melancolia, saudosismo de um tempo que não vivemos.

O relógio  é o ponto de ligação entre as histórias das duas mulheres que estão no presente e são uma metáfora que explica o nascimento de Bejamin, além de  conter um crítica dos jovens que foram para 1° Guerra Mundial e da briga do ser humano com o tempo, com a vontade de viver ao contrário. Outro simbolismo está escondido no beija-flor que aparece quando Button é resgatado pela Marinha americana, o animal é o único animal que voa para trás.

O enredo nos faz refletir sobre o papel do velho na sociedade atual, como são esquecidos, renegados, descartados. Além de refletir sobre a vida com a perspectiva da morte, que era encarada de maneira natural por Bejamin que em sua “infância” teve bastante contato com a  experiência, o que geralmente ocorre na fase adulta e na velhice dos seres humanos. Talvez se pudéssemos viver a trajetória como o personagem seriamos mais realistas e viveríamos de outra forma, além de aproveitar o brilho da juventude e não te preconceito com a senescência.

Brad Pitt consegue encenar muito bem a ingenuidade de um velho jovem, que se apaixona pela jovem Daisy. Os destinos levam para carreiras diferentes, ele não tem preconceitos com carreiras que necessitem de força física, como de marujo o que permite conhecer pessoas, amigos, mulheres. O verdadeiro encontro acontece na hora certa que é o clímax do filme, assim como a perda do pai de Bejamin. O filme mostra a briga do ser humano com a natureza, quando perdemos quem mais amamos.  

Para os mais sensíveis é difícil não se contagiar com as emoções e não sair com o rosto úmido. Além de pensar o quanto a aparência física é somente um detalhe, em uma sociedade que enaltece a jovialidade e teme a velhice. Também é ressaltado que o que importa é a busca pelo que queremos, por nosso amor e família.  Um  filme bom para refletir como enfrentamos a vida e a conseqüência que não podemos controlar a morte e muito menos o tempo.

Embaixo vai o texto de Chaplin que se parece muito com a idéia do filme:

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo pra poder aproveitar a aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e seprepara para a faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho no colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando… e termina tudo com um ótimo orgasmo. Não seria perfeito?”

 

Publicado em: às março 12, 2009 em 1:31 pm  Comentários (1)  
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