Quando um violeiro toca

    Por Tancy Costa

    Eram dez da noite, mas a arena do show ainda estava vazia, o espaço enorme demonstrava que o cantor deveria ser bem conhecido, pois a prefeitura organizadora do evento esperava um grande público na 21° Feira Agropecuária de Barra do Piraí, cidade do interior do Rio de Janeiro. Em cima do palco central, ele estava sentado na cadeira colocada sobre uma plataforma de madeira. Segurava sua viola, enquanto os outros músicos passavam o som e testavam os equipamentos violão, sanfona e baixo. Outras duas violas cercavam o cantor, compositor e ator Almir Sater.

    O cenário parecia ideal para um show de música regional, considerada “caipira” e folclórica. Barra do Piraí é aquela cidade pacata e rural, apesar de ser cortada pela malha ferroviária, que divide o município. Pode servir como um referencial, porque quando o trem passa as pessoas tem que esperar cerca de vinte minutos para passar para o outro lado da cidade. Para chegar a feira todos tinham que atravessar a linha do trem. A feira parecia uma festa junina, com barracas de comida e bebida, antes fosse a exposição de gado, as vacas e bois eram tão bem cuidados que se assemelhavam a estátuas.    

Fotos: Daniel Severino Foto: Daniel Severino

    Foi neste cenário que Almir Sater fez seu show, local bem escolhido para tocar sua viola e cantar suas canções. Antes do show, uma fila de fãs se formou no camarim para pedir autógrafos e tirar fotos, ele pacientemente atendeu, apesar de demonstrar uma certa timidez.Timidez que acabou quando foi atender a imprensa. Usava uma camisa jeans, calça caqui, um blazer de veludo marrom, um cinto com ar folk, um cachecol de lã e o típico chapéu de couro encerado. Sua roupa demonstra a personalidade calma, simples, sóbria e artistica.  O único nervosismo que restava era transmitido para o fumo de corda que ele queimava.

    Sater falou sobre a família, o gosto musical, o pantanal, o Instituto e os próximos trabalhos. O novo cd ainda não tem data marcada para ser gravado, mas está em processo de execução. O projeto é uma parceria com Renato Teixeira, amigo e vizinho. Antes do novo projeto, o violeiro pretendia lançar um cd instrumental.

     “Eu pensei em gravar um instrumental recentemente. Mas, eu tenho um compromisso com o Renato Teixeira de produzir um disco juntos. Ele me mostrou três canções lindas. A gente gravou metade e nunca mais se encontrou, agente gravou. Quem sabe daqui há três, quatro anos”, foi a  previsão do músico.

Foto: Daniel Severino

     “Ando devagar porque já tive pressa, levo esse sorriso porque já chorei demais”, a música conhecida parece descrever a forma de ser, o estilo de de Almir Sater. Suas músicas parecem ser meio autobiográficas, parecem traduzir a personalidade. Almir Sater parece calmo e tranqüilo, misterioso, a fala mansa deixa a entrevista leve e fluída.

    Apesar do sucesso e do reconhecimento após atuar em Pantanal, Rei do Gado e Ana Raia e Zé Trovão, novela reprisada pelo SBT, Almir não parece afetado com a fama e continua se preocupando com a qualidade de vida. Sua casa principal fica em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, uma casa integrada na natureza, apesar de atualmente ficar mais na casa da Serra da Cantareira, pela educação dos filhos pequenos. Mas, não deixa sua agenda sufocar sua vida pessoal, faz  uma média de dez shows por mês.

    Sua família vive da arte, já influenciado pela mãe que foi pianista. Porém, ele não se interessou pelo instrumento clássico e se envolveu ao escutar pela primeira vez o som de uma viola, ainda criança. “Eu queria um instrumento que pudesse carregar. Eu gostava de levar o instrumento nas costas, e o piano não é muito prático para isso. E aí fui tocar viola. Mas, nunca me deram muita força. Meus pais queriam que fosse trabalhar, tentei trabalhar, mas não deu”, comentou sarcasticamente.

Foto: Daniel Severino

     E mesmo sem querer, acabou influenciando o irmão Rodrigo que toca em sua banda e sua irmã Gisele. O filho mais velho  também se envolveu com música, para preocupação do pai músico. “´É um problema a gente queria que alguém trabalhasse lá em casa. (risos) Eu acho que é difícil para qualquer artista  musical se lançar hoje”, explicava sobre a diferença do mercado musical e das dificuldades que o filho Gabriel Sater enfrenta.

    Além da faceta artística, o cantor é defensor do meio ambiente e da sustentabilidade. Ele ajudou a fundar em 2002, o Instituto Homem Pantaneiro, preocupado com o crescimento sustentável da região, rica em biodiversidade. A ONG tenta propiciar educação para jovens e adultos, por meio da arte e educação ambiental.

    Mas, o projeto tem enfrentado as imtepéries, ele percebeu a dificuldades para manter o Instituto. “Eu procuro ser participante, auxilei na fundação do parque. O projeto é muito novo. Participamos de alguns projetos utópicos, alguns que deram e outros que não deram certo. Eu percebo que estamos caindo na real aos pouquinhos,vendo que nao é fácil trabalhar com ecologia, conciliar ecologia com educação no Brasil. Nós fomos muito fundo, e voltamos para respirar um pouco. Só não pode acabar um projeto tão bonito, qualquer problema tem que ser superado”, encerrou Almir.

“Mais um milênio vem nascendo
De repente se perdendo
A melhor das ocasiões
É só questão de investimento
Em vez de armas
Alimento
Deixar viver, dar o pão”

(O vento e o tempo/ Almir Sater)

Published in: Sem categoria on setembro 14, 2010 at 4:31 pm  Comments (5)  

Diversidade Cultural

Artistas davam um show no ar presos a um guindaste

São Paulo já é sinônimo de diversidade, por si só. É só andar na Paulista que você vê alternativos, misturados a engravatados, ambulantes, todas as tribos convivem pacificamente. Se até os diferentes estilos arquitetônicos se misturam entre as ruas da cidade de pedra. Imagine uma virada com todo tipo de pessoa, cabelos de todas cores loiros, ruivos, negros, curtos, cumpridos, raspados, com tranças e dreads.

A virada cultural juntou tribos, estilos, e gostos musicais desde os bregas Wando e Reginaldo Rossi, a clássica Orquestra Sinfônica da cidade. Juntou a classe média, a elite, pois é o Kassab e o Serra estavam lá. Até os ambulantes que aproveitaram para ganhar um dinheirinho. Era um mar de cabeças que me separavam do palco dos shows. Só quem continuava a ficar excluídos eram os moradores de rua. Para eles a cidade não parecia tão quente, nem gentil.

 

 

Jardim da Luz em chamas

O Centro Velho parecia uma cidade européia e deu lugar a números franceses. Os paulistanos tiveram que ingerir muito álcool para esquentar a noite quente, apesar do calor humano. Uma das partes mais bonitas foi o fogo que iluminou todo o Jardim da Luz. Parecia noite de dia das bruxas, mas a alegria contaminava o parque. 

De manhã parecia final de guerra, pessoas andando para todos lugares, um forte cheiro de urina e lixo por toda parte. As pessoas tem fome de cultura, porém falta concientização ambiental.  Mas, valeu a pena a caminhada pelos pontos centrais da cidade. A música do Zeca Baleiro conseguiu refletir o que é a Virada em “Alma não tem cor”.

Alma não tem cor
Porque eu sou branco?
Alma não tem cor
Porque eu sou negro?

Branquinho
Neguinho
Branco negão
Percebam que a alma não tem cor
Ela é colorida
Ela é multicolor

Azul amarelo
Verde verdinho marrom

Você conhece tudo
Você conhece o reggae
Você só não se conhece

Published in: on maio 5, 2009 at 12:18 am  Deixe um comentário  

A virada cultural promete

Em sua quinta edição a Virada Cultural trará bons artistas, para embalar os amantes de artes em vinte e quatro horas, com muita música, teatro, cinema e etc. A programação musical já foi confirmada e contará com apresentação da Orquestra Sinfônica junto a  Jon Lord, ex-Deep purple, Marcelo Camelo, Zeca Baleiro, Nação Zumbi, Cordel do Fogo encantado, Cpm 22 e tudo termina com o show da cantora de MPB, Maria Rita.

Serão 800 apresentações em 150 locais, tudo acontecendo no centro de São Paulo. Cultura de graça para juntar todo mundo numa coisa só, como diria Fernando Anitelli do Teatro Mágico. Além disso, o grupo francês, Mécanique Vivante dará início ao evento, com uma performance sobre os edifícios da região da praça do Patriarca.

Foto do site: http://ofuxico.terra.com.br/materia/notici…o-rio-66185.htm

Artistas como Tom Zé e Beto Guedes se apresentam no Teatro municipal, e na Estação da Luz terá um palco em homenagem do roqueiro Raul Seixas em que dezenove bandas vão dividir o microfone e cantar músicas do amigo do Paulo Coelho.

Já os novos cantores da música paulistana se apresentarão no largo da Santa Efigênia. Enquanto, a praça da República vai receber as bandas de rock nacional como Velhas Virgens, Vanguart, entre outros. A avenida do palco terá atrações de dança. A música instrumental terá a praça Dom José Gaspar como cenário.

No site da folha tem toda programação, para quem quiser conferir.

Published in: on abril 18, 2009 at 5:21 pm  Deixe um comentário  
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Do vestido de rainha até as calças rasgadas: as roupas comunicam

Rainha Elizabeth por fotoGrafável_2.

Mary Veloso http://www.flickr.com/photos/mary_velloso2/2303632216/

 

Imagine se você estivesse andando no Centro, de qualquer cidade, e deparasse com uma mulher ruiva de cabelos compridos, pele clara, coroa na cabeça dourada. Se esta mulher usasse um vestido bordô, de tecido pesado, mangas cumpridas e com a saia bem cheia. Junto estaria um homem com camisa branca cheia de detalhes, calças bufantes e botas. Com certeza, as pessoas se espantariam e pensariam que a mulher e o homem seriam atores, fantasiados como a nobreza européia no século XVII.

A roupa, tanto no passado como no presente, esteve associada à diferenciação das camadas sociais e de épocas da história. Atualmente, ela serve para diferenciar categorias profissionais. E as profissões também determinam as formas de vestimenta. Um advogado está sempre de terno, uma executiva de tailleur, um médico de branco, um gari de macacão laranja.

Profissionais de moda, geralmente se destacam por terem um estilo próprio muitas vezes não convencional. Eles conseguem demonstrar a personalidade pelo uso de roupas e acessórios diferenciados. Rosely Pimenta é coordenadora do curso de Moda da Univap. Seu jeito bem resolvido aparece pelo lencinho amarelo amarrado no cabelo como uma bandana. Seu crock branco, sapato confortável parecido com tamanco holandês, se destaca no meio da roupa básica jeans, blusa vermelha e casaco caramelo.

Rosely explica que a roupa expressa e comunica sentimentos, personalidade e estado de espírito. Apesar de que em situações sociais e profissionais as vestes não transmitirem isto. “Um médico pode querer usar um preto, por estar entediado, mas sua profissão não permite. Mas, quando ele sair do ambiente de trabalho tenho certeza que vai tirar o branco”, exemplifica a coordenadora.

Muitas vezes a escolha das roupas é inconsciente. Às vezes optamos por uma roupa básica, mas é inevitável que o inconsciente aflore. “Estou num ambiente profissional. Escolho um pretinho básico e um brincão. Assim a atenção que era neutralizada chamo para mim”, comenta.

A roupa está ligada ao  nível social, e é uma forma de comunicar que pertencemos a grupos. Muitos movimentos criaram uma moda própria. Um exemplo são os punks, que vestiam roupas rasgadas porque eram as únicas que tinham. O movimento surgiu na Inglaterra, numa época que somente os jovens abastados tinham espaço no mercado de trabalho.

Na atualidade os jovens compram as roupas e muitas vezes nem conhecem os movimentos. “Muitas pessoas se vestem para fazer parte de grupos. Não significam que elas sejam. Você pergunta para elas da onde vem a idéias. E eles não sabem, pois estão fantasiados”. As pessoas que participam de grupos como jovens, ou classes sociais, geralmente encontram unidade visual, ou seja identificação pelas indumentárias. 

A moda é uma manifestação, de pendendo da roupa para ser aceita pela sociedade, ou para ser repudiada. As roupas mais básicas são usadas para ser aceitas como roupas clássicas. Já as roupas decotadas e coloridas servem para chocar as pessoas. O psicológico, o  estado de espírito também interfere na roupa.

“A pessoa pode estar deprimida, pessoas que tem baixo asseio físico, não tem noção visual, não tem noção do que as pessoas estão vendo. Ser desencanado é uma coisa, mas desleixado outra. Ninguém gosta de ser referencial de coisas negativas. você pode ser a pessoa mais desencanada é uma coisa, desleixada é outra”, advertiu a professora.

Determinados grupos são fáceis de rotular como punks, heavy metal’s, yupe, e etc. Os alternativos vestem roupas a frente do tempo, de vanguarda, ou modas do passado, usando o vintage e o retrô. “Você olha tem referência do passado e tem referência do futuro, para fazer isso você tem que estar bem consigo mesmo. Porque do mesmo jeito que quando se coloca uma roupa bonita se chama atenção. Quando se coloca uma roupa nada haver se chama atenção.”

“A moda pode expressar tudo e nada. Tudo depende da envergadura, a maneira de se portar. A roupa é uma armadura se você a coloca você tem que ter do que está transmitindo”, finalizou. De nada adiantará se vestir o vestido de rainha da mulher imaginada no início da reportagem se a pessoa não se portar como tal. Assim como não adiantará usá-lo num sol escaldante nos tempos modernos. A roupa tem seu papel de individualizar e de socializar o homem. As vestimentas também comunicam muito sobre nós.

Published in: on abril 3, 2009 at 12:37 am  Comments (1)  
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Nosso inimigo o tempo

benjamim

Uma questão ainda não foi resolvida, após assistir “O curioso caso de Bejamin Button”, quem é o verdadeiro autor do conto de Bejamin? Seria Charles Chaplin com seu texto que sugere que seria mais fácil nascer na forma física velha, ficar adulto com todas cobranças e terminar sem compromissos e com grande sabedoria sendo uma criança? Ou realmente F. Scott Fitzgerald foi o criador, em 1921em sua coletânia de contos chamada “Fantasia”, deste conto que nós faz refletir melhor o que queremos da vida, o que devemos fazer, esperar, aproveitar e aceitar. Talvez Chaplin tenha escrito a frase antes e Fitzgerald tenha baseado para escrever o conto.

Os críticos tem feito um paralelo com o filme “Forest Gump”, mas eu vi semelhanças com ”O diário de uma paixão”. O filme nos mostra que é possível que Hollywood produzir filmes mais profundos baseado em bons diálogos, com uma belíssima fotografia, figurino e maquiagem. O roteiro foi bem escrito, as roupas nós fazem embarcar em outra época, assim como os tons escuros, os cenários noturnos, o céu nublado, o a neblina, o anoitecer faz o público sentir melancolia, saudosismo de um tempo que não vivemos.

O relógio  é o ponto de ligação entre as histórias das duas mulheres que estão no presente e são uma metáfora que explica o nascimento de Bejamin, além de  conter um crítica dos jovens que foram para 1° Guerra Mundial e da briga do ser humano com o tempo, com a vontade de viver ao contrário. Outro simbolismo está escondido no beija-flor que aparece quando Button é resgatado pela Marinha americana, o animal é o único animal que voa para trás.

O enredo nos faz refletir sobre o papel do velho na sociedade atual, como são esquecidos, renegados, descartados. Além de refletir sobre a vida com a perspectiva da morte, que era encarada de maneira natural por Bejamin que em sua “infância” teve bastante contato com a  experiência, o que geralmente ocorre na fase adulta e na velhice dos seres humanos. Talvez se pudéssemos viver a trajetória como o personagem seriamos mais realistas e viveríamos de outra forma, além de aproveitar o brilho da juventude e não te preconceito com a senescência.

Brad Pitt consegue encenar muito bem a ingenuidade de um velho jovem, que se apaixona pela jovem Daisy. Os destinos levam para carreiras diferentes, ele não tem preconceitos com carreiras que necessitem de força física, como de marujo o que permite conhecer pessoas, amigos, mulheres. O verdadeiro encontro acontece na hora certa que é o clímax do filme, assim como a perda do pai de Bejamin. O filme mostra a briga do ser humano com a natureza, quando perdemos quem mais amamos.  

Para os mais sensíveis é difícil não se contagiar com as emoções e não sair com o rosto úmido. Além de pensar o quanto a aparência física é somente um detalhe, em uma sociedade que enaltece a jovialidade e teme a velhice. Também é ressaltado que o que importa é a busca pelo que queremos, por nosso amor e família.  Um  filme bom para refletir como enfrentamos a vida e a conseqüência que não podemos controlar a morte e muito menos o tempo.

Embaixo vai o texto de Chaplin que se parece muito com a idéia do filme:

“A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo pra poder aproveitar a aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e seprepara para a faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho no colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando… e termina tudo com um ótimo orgasmo. Não seria perfeito?”

 

Published in: on março 12, 2009 at 1:31 pm  Comments (1)  
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Zoom, amplie sua mente

Cerca de 30 artistas participam do musical ZOOM

Cerca de 30 artistas participam do musical ZOOM

 Tancy Mavignier

   Aproximar pessoas é a proposta do musical ZOOM, ou programa musical, segundo o diretor da peça Deto Montenegro. A interatividade inicia por meio da apresentação da peça, pelo próprio diretor, e com a participação de algumas pessoas da platéia que conduzem os deficientes visuais. Esta conexão com o público é alcançada através da quebra “quarta parede” do teatro. Ou seja, as coxias e as duas paredes laterais formam três barreiras, a última é opcional, depende de cada espetáculo. Mas, Zoom quebra este vidro invisível e permite a verdadeira participação das pessoas, um exemplo de inclusão social, sem distinção entre atores e platéia.  Assim é possível envolver quem está vendo, enxergando, ou escutando.

   O espetáculo é adequado para todas faixas de idade, pois abusa do humor para retratar a da realidade  muitas vezes não tão alegre e justa da vida. O teatro é adaptado para pessoas com necessidades especiais, têm rampa e banheiros ajustados. Os atores também são uma fusão de estilos e idades diferentes, além de terem deficiências diferentes como lesões na coluna, assim como deficientes visuais e auditivos. O elenco é formado por um grupo que participa de um projeto específico um grupo só para pessoas com necessidades especiais, idealizado pelo diretor do Teatro de Menestréis.

   A peça consegue atingir pessoas com diferentes necessidades especiais, já que é musicada, tem muito movimento, usa de recursos multimídias, e de jogo de luz. Cada surpresa do palco acontece depois de escurecer, é possível se colocar no lugar de uma pessoa deficiente visual. A fumaça com cheiro adocicado formada por gelo seco, dá um ar misterioso e fantástico em alguns momentos. Assim como o fecho de luz azul e vermelho que dão ar intimista a algumas poesias declamadas.

   Alegria do começo ao fim da peça, apesar de alguns momentos de crítica com o hip hop, e de reflexão quando toca a música de Zé Ramalho “Admirável gado novo”, ou até mesmo com piadas baseadas na vida real. Através de canções, poesias e imagens é possível mostrar a todos que pessoas com necessidades especiais são “Assim como você”, nome do blog do companheiro Jairo Marques que por sinal divulgou a peça pelo blog e me permitiu conhecer a peça.

   Pessoas diferentes com seus estilos, japoneses, baixos, altos, jovens, senhores, morenos, loiros, todos juntos com objetivo de lutar pela inclusão, pela sociedade igualitária. São respondidas também as dúvidas das pessoas leigas, assim como uma imagem forte de uma pessoa sem deficiência sentando numa cadeira de rodas. No fim todos são convidados a cantar. Está foi a  última sessão, antes de terminar a  temporada. Em março, uma nova turma começa, novos atores se reúnem em busca do mesmo propósito.

Published in: on março 2, 2009 at 1:37 pm  Comments (1)  
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Toda mulher precisa se alimentar fisicamente, espiritualmente e emocionalmente

    

Uma aventura para conhecer a si mesma
Uma aventura para conhecer a si mesma

   

Quais são as necessidades principais de uma mulher? Elizabeth Gilbert responde esta questão no livro “Comer, Rezar e Amar” que parece até um diário da autora em busca da liberdade, do amor próprio e da espiritualidade. A escritora faz os leitores perceberem a importância de se conhecer a si mesmo para amar verdadeiramente e se aproximar de um caminho espiritual.

   A história se inicia com um fato comum na vida moderna de uma mulher o divórcio. Com a separação Liz decide morar um ano fora e passar quatro meses em cada pai. Itália, Índia e Indonésia são os escolhidos pela autora, todos começam com I que em inglês significa “eu”. No território italiano aprende a comer massa, a ter prazer na vida, no oriente decide fazer yoga, meditar. Após conhecer a Indonésia um xamã fala que ela terá que voltar, e esta é sua última viagem em que encontra um amor brasileiro.

   O texto é fluido, tem ironia, reflexivo nele a escritora coloca seus sentimentos como estivesse contando um amigo sua história. Além disso Liz faz muitas referências a mestres, a mantras e explica a cultura dos lugares. A obra nos faz viajar e ter vontade de conhecer os três países tão diferentes. O livro é dividido em 108 pequenos capítulos e há três divisões, uma para cada país. A divisão é baseada nos cordões japa malas usados por hindus e budistas para orar.

   A aventura permite a personagem-narradora buscar o prazer, a transcendência e o principal o equilíbrio. “Comer, Rezar e amar” é praticamente um guia de viagem, uma imersão em outras culturas, e uma auto-reflexão de quem somos, do que queremos e da independência da mulher moderna. Um ensinamento fica claro ao fim do livro que a verdadeira felicidade entre duas pessoas existe quando as duas tem independência emocional, assim podemos sermos felizes a dois. Vale a pena, principalmente para mulheres que amem “viajar”!

 

 

Published in: on fevereiro 26, 2009 at 1:54 pm  Deixe um comentário  
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Porque criar um blog de cultura?

 

Primeiramente por ser um assunto que sempre me interessou, ir ao teatro, assistir um bom filme, conferir uma nova exposição, ler um livro de um grande autor ou viajar e conhecer novos lugares hábitos e comidas. O grau de nosso interesse sobre arte, comportamento e moda depende de nossa formação tanto na escola como em casa.

Eu tive sorte tive um pai que me estimulou a escutar música clássica, jazz e bossa nova além de gostar de ir para exposição, gostar de artes plásticas e ter uma boa biblioteca em casa. Minha irmã sempre foi atriz e me levava para assistir peças de teatro. E eu me apaixonei por literatura no colegial.

Outro fato que contribuiu para a escolha é que a cultura é pouco valorizada, são poucos os espaços para críticas, poucas revistas. Os cadernos culturais dos jornais surgiram na década de 70 e 80 e tem menos espaço para resenhas. Cada vez mais percebo que existe um público que aprecia a arte e busca se informar.

Na região do Vale do Paraíba existem poucos sites que divulgam os programas culturais, que também são pouco noticiados. Estamos em uma região que não tem o mesmo apelo cultural que São Paulo, mas na terra de grandes escritores e artistas como Monteiro Lobato e Cassiano Ricardo.

Taubaté tem 11 museus é uma das cidades do vale que mais tem museus e reabriu a pouco tempo 5 de seus museus que ficaram um ano em reformas. A internet deixou um espaço para que as pessoas criem blogs, expressem suas opiniões e se informem. Logo é uma possibilidade para nós jovens e jornalistas não formados divulgar conteúdos.

 

 

Published in: on fevereiro 20, 2009 at 12:57 pm  Deixe um comentário